O que estou a fazer desde que cheguei a Lisboa?

De todos os bairros que encontrei no início em Lisboa, a Mouraria foi a que mais me atraiu por causa do seu sentido de comunidade. Tive sorte em encontrar facilmente um sitio onde morar na Mouraria e também um sitio onde montar a minha câmara escura. Desde que me mudei para Lisboa em 2007 foquei-me em projectos em colaboração com a comunidade, exibidos em espaços exteriores que estão ligados às pessoas que estou a fotografar ou com a história local. Como podemos manter viva a história de uma comunidade? Como podemos manter as suas memórias em ambientes em rápida mudança? Quero trazer o passado no presente numa maneira visual, criativa e acessível a todos, especialmente nos bairros históricos e em áreas em processo de mudança.

O meu primeiro projecto ‘Um Tributo’ está perto do meu atelier e inclui as pessoas de idade da comunidade local.

Outro projecto de comunidade é ‘Retratos do fado – um tributo à Mouraria’. Isto centrou-se na história, na comunidade e no fado da Mouraria. Mais recentemente foi a ‘Alma de Alfama’ também uma exposição permanente nas ruas com as pessoas mais tradicionais do bairro de Alfama. A minha exposição mais recente é o ‘Canto do Sol’ na Rua dos Lagares na Mouraria. É um painel de 80 mosaicos e retrata a comunidade local integrando imagens do inicio 1900.

Podes encontrar-me no Largo dos Trigueiros, junto com a minha assistente Elisabetta e o meu amigo fiel Dom Quixote – um cão de água Português. Somos um atelier ‘aberto’, e és bem-vindo a passar por aqui para ver o que fazemos e conhecer as nossas fotografias em exposição.

Por que Lisboa?

Passei por Lisboa pela primeira vez em 2007 no meu caminho para São Tomé e Príncipe, e a cidade arrebatou-me imediatamente. Aqui estava eu, no meio de 7 colinas, um rio magnifico, o mar, um castelo, becos e praças pequenas. Em cima de tudo isso, uma luz magnifica a reflectir das pedras da cidade, da água do mar e do rio.  Senti que tinha chegado a casa.

A cidade é simultaneamente misteriosa e mágica. Pensas que a descobriste apenas para encontrar mais um jardim secreto, um beco que leva a outro ou, outro painel de azulejos seculares escondido atrás de frondosas videiras.

A arquitectura e a luz estará sempre aqui, no entanto, as pessoas vêm e vão e, como fotógrafa, são as figuras carismáticas dos bairros antigos que amo e me atraem. Os seus espíritos estão nas paredes e calçadas de Alfama e Mouraria. Eles têm caracterizado os bairros mais antigos de Lisboa e, por sua vez, a história local e o quotidiano – passado e presente  – caracteriza-os a eles.